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Sunday, December 19, 2004

A LUZ NÃO SE APAGA - II

Ao visitar alguns fóruns pela WWW, encontrei este texto retirado do livro do Ultras Marselha, sobre a sua deslocação à Luz:

Em directo da Luz. Este golo que os adeptos não viram sequer. Eram quase de dois mil fans do OM a fazer a deslocação. Olhar desesperado sobre um encontro que deixa um gosto amargo. Para um golo traidor que eles nem viram sequer. Ambiente. Faltam dez minutos de jogo. O OM aguenta bem. Para os sensivelmente dois mil adeptos marselheses que fizeram a viagem a Lisboa, o Estádio da Luz - inferno presumivel - vira paraíso. Viena já não está tão longe. Os 120 000 Benfiquistas não dão à voz há algum tempo, e pela primeira vez, os cânticos dos marselheses superiorizam-se. Ultimos minutos cheios de receios e esperança em azul e branco. Azul e branco como as cores dos cachecóis que tapam os olhos dos marselheses quando o Benfica consegue o seu ultimo canto. Ninguem, ou quase, verá o unico golo do encontro que crucifica o OM. E ainda menos o ante-braço de Vata, todo contente por qualificar o seu clube. Um enorme clamor eleva-se e leva o sonho. No sector marselhês reina a desilusão. Rostos brancos, descompostos. Os últimos minutos de jogo são insustentáveis. Mais um murmurio. A cortina cai com o apito final. Os VIVA BENFICA do speaker acabam de atordoar definitivamente os supporters marselheses. Tudo tinha no entanto começado bem, e nada deixava antever tal saída. Confiantes e certos do seu feito quanto ao futuro dos seus favoritos, os adeptos tinham-se posto ao caminho na terça feira com uma alegria não dissimulada. Certos, a rude recepção anunciada sobre o relvado português deixava a dúvida no ar, mas a formidável série do OM tanto no campeonato, como na taça de França e a super vitória no Velodrome contra os Girondinos, afastavam todas as inquietudes. E cada um imaginava os dribbles de Waddle, os raids de raiva de Papin ou ainda uma jogada de Francescoli. Terça e quarta feira, os bailados numa Lisboa soalheira não davam hipóteses de antever esta folia imensa de um vermelho vestido que três horas antes do encontro redundava num abiente bom apesar do impressionante Estádio da Luz no bairro de Benfica. Porta 19, ponto de encontro dos irredutiveis do OM. Lá, o choque. "É bom e forte" como uma meia final da Taça dos clubes Campeões Europeus. Ambiente sul americano (um pouco abaixo mesmo assim) e o speaker aquece, aquece... Talvez um pouco demais. Mas chegaram os Ultras e eles vão-no mostrar. Provocações constantes... Nada de muito mais, é certo, mas mesmo assim longe do espirito de fair-play, para enfurecer a imensa vaga vermelha. Esta última não encontra nada melhor do que atirar garrafas de água, roldanas e algumas moedas. Inútil e perigoso. As forças da ordem fazem-se notar pela sua discrição. Foi preciso esperar uma boa meia hora antes de vermos o primeiro uniforme. Eles serão muito mais numerosos para mandar sentar a vintena de jovens adeptos, desejosos de seguir de pé, contra as grades, o jogo que acabava de começar. Matracas na mão, os "CRS" locais puseram todo o seu empenho: dois feridos e uma detenção. A indignação rapidamente dá o lugar à cólera. Repressão quando tu nos segues. Sabiamos que a violencia e a estupidez eram universais, não as sabíamos tão contagiantes. Sobre a área de jogo, os confrontos são crispantes. E a Hola made in Benfica nas bancadas dão um ar vertiginoso. No entanto o OM não se deixa abater e as suas ofensivas enchem de orgulho o adepto marselhês. Este ultimo pões-se a sonhar com tudo de bom. A primeira parte terminada autoriza todos os optimismos. Até ao maldito 83º minuto. Punhalada, injustiça, Donzela negra, tudo passa. O regresso a Marselha é amargo, moroso: "E dizer que não vimos o golo..."

E ainda...

Quantos são eles? Dificil de recensear os adeptos portugueses nesta quarta-feira 4 de abril. Há vermelho disperso por todo o estádio, na tribuna, nos avançados, e talvez mesmo no Virage sud (n.d.r. Bancada do CU84). Bons meninos, os Ultras não fazem prova de qualquer animosidade contra os adeptos portugueses: um erro de julgamento que pagarão caro na 2ª volta não tendo direito de todo à mesma recepção. Também, quando Bernard Tapie gritou o célebre "Agora, sei como ganhar", o C.U.84 endireitou o passo e aprendeu com a sua ingenuidade: a partir de hoje, nenhum adepto adversário, mesmo pacífico, será tolerado na bancada sul do Vélodrome. O jogo ia deixar lamentações. Um oceano de cores companha a entrada dos jogadores no relvado, enquanto que o cameraman do Canal Plus, empoleirado nos andaimes no cimo do Virage Sud, vê o seu objecto de trabalho desaparecer provisoriamente. Infelizmente, falta um pouco de sorde no destino do OM para concretizar duma maneira mais larga o marcardor (vitória 2 a 1), um dominio em todos os instantes num dos melhores jogos alguma vez vistos em Marselha. O jogo da segunda volta anuncia-se épico na cratera do Estádio da Luz de Lisboa, cheio com os seus 120 000 espectadores. Pela primeira vez, o OM "parte o seu mealheiro" e paga metade da deslocação, o que permite aos FUW chegar à capital portuguesa por apenas 1000 francos. Tudo foi dito sobre este dia negro para os Marselheses, que não irão valsar nas bordas do Danúbio para reencontrar o Milan.....

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